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domingo, 12 de janeiro de 2014

VINHOS DO TEJO – A NOVA “DOC” DO RIBATEJO

BY JORGE CIPRIANO

Foto: clubevinhosportugueses

Por forma a contornar a má imagem dos vinhos do Ribatejo, entendeu-se e bem alterar esta denominação.
História da Região



Situado no Centro de Portugal, o Ribatejo, com uma vasta superfície agrícola utilizada (SAU), de 258.000 ha., cerca de 7% da nacional e com uma área florestal de 160.000 ha., perto de 17% da nacional, possui inegáveis condições naturais para o desenvolvimento das actividades agrícolas, florestais e pecuárias.

A história da viticultura no Ribatejo perde-se nos tempos, já que a existência de vinha no Ribatejo é muito anterior à nacionalidade, conforme atestam os amarelados manuscritos em papiro, do tempo dos romanos que terão sido os principais introdutores da cultura da vinha nesta Região.

Em documentos emanados de Reis como D. Afonso Henriques, D. Sancho II e D. Fernando, só para citar alguns são variadas as referências às vinhas e aos vinhos do Ribatejo.

Também Fernão Lopes cita “as grandes carregações de vinho” referindo “que a exportação média anual chegou a carregar 400 a 500 navios e que num ano atingiu 12.000 tonéis de vinho”.
Foto: clubevinhosportugueses

Porém, o apogeu do comércio destes vinhos foi sobretudo no século XIII, no fim da sua primeira metade, que só para Inglaterra, chegou a atingir a cifra de quase 30.000 pipas.

A vinha teve ainda um papel preponderante na colonização do Ribatejo.

Entre 1900 e 1960, a população do continente aumentou cerca de 61% tendo tido no Ribatejo, sensivelmente a mesma evolução. No entanto, nos concelhos de maior incidência vitivinícola do Ribatejo (Almeirim, Alpiarça, 
Cartaxo, Chamusca, Coruche, Rio Maior, Salvaterra de Magos e Santarém), o aumento de população no período considerado foi de cerca de 175% e só em Almeirim este aumento foi de cerca de 228%.

O principal acidente orográfico existente no Ribatejo é a Serra de Aires e Candeeiros, delimitando o que podemos chamar de Alto e Baixo Ribatejo e em termos hidrográficos o Rio Tejo, pela sua dimensão e pela sua regular irregularidade (cheias) continua a condicionar, umas vezes para o bem outras para o mal, as actividades agrícolas da Região. A vinha, ainda assim, é por norma a cultura menos afectada pelas cheias que ocorrem cada vez com menos frequência, graças à gestão dos caudais feitas pelas diversas barragens.
Foto: clubevinhosportugueses

Encontramos na Região três zonas distintas de produção, conhecidas como “O CAMPO”, “O BAIRRO” e a *“CHARNECA”.

O CAMPO, com as suas extensas planícies, adjacente ao Rio Tejo, conhecido também como a LEZÍRIA DO TEJO, sujeita a inundações periódicas, que se causam alguns transtornos, são também responsáveis pelos elevados índices de fertilidade que aqueles solos de aluvião possuem, é, por excelência a zona dos vinhos brancos, onde a casta Fernão Pires é rainha.

O BAIRRO, situado entre o Vale do Tejo e os contrafortes dos maciços de Porto de Mós, Candeeiros e Montejunto, com solos argilo-calcáreos em ondulados suaves, é a zona ideal para as castas tintas, nomeadamente a Castelão e Trincadeira.

A CHARNECA, localizada a sul do CAMPO, na margem esquerda do Rio Tejo, com solos arenosos e medianamente férteis, se por um lado apresenta rendimentos abaixo da média da Região, por outro lado induz a um afinamento, quer de vinhos brancos, quer de vinhos tintos.
No Ribatejo existem actualmente cerca de 19.989 hectares plantados de vinha (representam cerca de 8.5% do total nacional), dos quais 11.993 ha são de castas brancas (60% da produção) e 7.996 ha são castas tintas (40% da produção), que produzem anualmente, no total, cerca de 800.000 hls de vinho (representam cerca de 12% do total nacional). Destes 800.000 hls são certificados cerca 76.000 hls dos quais 81% são vinho regional e 19% são vinhos com Denominação de Origem Controlada (DOC). Cerca de 30% da produção dos vinhos certificados (DOC e Regional) destinam-se à exportação.

As plantações são alinhadas. O sistema de condução tradicional é a vinha baixa, embora a introdução da vindima mecânica tenha vindo a introduzir alterações, nomeadamente na altura da vinha.

A produção média total da Região no triénio 2004/05/06 foi de cerca de 804.000 hl., sendo a produção estimada para a campanha de 2006/2007 de cerca de 639 000 hl.
A produção média situa-se entre os 32 e os 36 hl./ha., sendo o limite máximo definido nos Estatutos da 

Denominação de Origem, de 80 hl/ha. para os vinhos tintos e de 90 hl/ha. para os vinhos brancos.


Fonte:  http://clubevinhosportugueses.wordpress.com/2009/07/13/vinhos-do-tejo-a-nova-doc-do-ribatejo/
            https://www.facebook.com/jorge.cipriano



*Charneca é o nome comum português de um habitat caracterizado por vegetação xerófila (São plantas adaptadas à aridez (mandacaru, xiquexique, faveiro), elas possuem folhas atrofiadas, caules grossos e raízes profundas para suportar o longo período de estiagem), tipicamente urze (Calluna vulgaris) de Portugal, análoga ao maquis do Mediterrâneo francês e ao heath das ilhas britânicas e o fynbos da África do Sul. Extensivamente dá-se o nome de charneca a terrenos áridos e pedregosos cobertos de urze. No Brasil, curiosamente, o termo ganhou significado oposto, representando área de características pantanosas, como brejos e banhados, cobertos de vegetação baixa, ou capinzais com algum grau de alagamento.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

BEM-VINDO AO BRASIL ORIGINAL. BEM-VINDO À ROTA DOS ENGENHOS DE PERNAMBUCO.

Fazer a rota dos engenhos e maracatus em Pernambuco e estudar história é quase fazer a mesma coisa, uma viagem turística pelas raízes históricas do lugar que se esta sendo visitado naquele instante, chegamos a perceber que aquele pedacinho de chão em que estamos pisando neste exato momento, muitas emoções foram vividas por nossos antepassados, a o exemplo das ruinas do Arraial Novo do Bom Jesus no bairro dos Torrões em Recife, onde lá, foram travadas lutas intermináveis por décadas em defesa do nosso território pernambucano da invasão holandesa. Ali, índios, negros, brancos e mamelucos foram vitoriosos com bravura por uma nação.

Foto: Arquivo blog Garçom e Menu
Ruínas da casa de armas do Arraial Novo do Bom Jesus (onde encontradas munições não usadas, armas e corpos) – Localizada Avenida Cruzeiro do Forte no bairro dos Torrões – Recife – PE

O mestre Gilberto Freyre já dizia: "Sem açúcar, não se entende o Nordeste, não se entende o Brasil". E foi justamente por conta deste tesouro maior que Pernambuco tem uma coisa mágica dentro de seu território, seu espaço físico e politico que se faz um dos melhores lugares no Brasil para ser visitado turisticamente por várias gerações e interesses.

Viajar pela Zona da Mata de Pernambuco é voltar às origens. É deparar-se com o charme bucólico da tradição dos tempos vividos. Nos antigos engenhos, com suas imensas plantações de cana de açúcar verdinhas esperando sua colheita e logo se via um descampado sem fim. A casa-grande, onde repousava o senhor e os segredos de uma vida em esplendor e luxo com o contraste das senzalas com horas marcadas, noites longas, chão batido e alimento sagrado vindo do suor onde muitas vezes avermelhados de sangue extraído da forte e insensível exploração da mão de obra. Exorcizadas pelo tempo, elas hoje abrigam tão somente charmosas e aconchegantes pousadas. Capelas e igrejas centenárias, que revelam um sincretismo religioso ocultado na época dos senhores Barões, Condes e Coronéis, onde apenas o catolicismo era aceito como fé verdadeira.

No encurtar desta resenha, realizando um Tur por Pernambuco encontramos as cavalgadas, onde se desbrava caminhos percorridos até por Lampião, rios e cachoeiras para banhos de água corrente, cristalina e térmica, peças sacras e um mobiliário antigo artesanalmente produzido e o deleite da real vida do campo.
foto: panoramio.com - Igreja do Rosário dos Homens Pretos - Goiana - PE
Uma viagem para deparar-se com a arte barroca de Goiana, na secular Igreja do Rosário dos Homens Pretos, abriga um acervo com mais de duas mil peças sacras, entre elas, a imagem em ouro de Nossa Senhora do Amparo, doada aos antigos escravos pela Princesa Isabel. Para conhecer o mistério e a beleza da cultura surgida à beira dos canaviais em Nazaré da Mata, os enigmáticos caboclos-de-lança do maracatu rural fazem a festa, balançam seus chocalhos pelas ruas, exibem suas cabeleiras multicoloridas de um Brasil profundo, um Brasil atemporal.

Foto: arquivo blog Garçom e Menu
Ocas na entrada da cidade de Tracunhaém Espaço cultural para exposição de artesanato da Zona da Mata

Uma arte expressa nos tapetes de grande influência ibérica de Lagoa do Carro. Ou nos escultores de Carpina, Paudalho, Vicência e Tracunhaém, terra onde a imaginação dos homens ganha contornos no barro. Dezenas de ceramistas moram nas cidades erguidas entre montanhas.

Divulgação
Entre mesas fidalgas e tabuleiros de rua, encontra-se a culinária que evidencia a Civilização do Açúcar. Nos engenhos, prepare-se para um banquete: pamonha, canjica, munguzá, coalhada, iogurtes caseiros, queijos de coalho e manteiga, pães e biscoitos, tapioca, beiju, manteiga artesanal, café bem passado, sucos de frutas e muitos bolos, de mandioca, barra-branca, bolo-de-rolo... Mandioca e carne seca. Galinha caipira guisada. E, claro, uma cachaça de alambique.

Não importa em que cidade hospedar-se. Estão todas muito próximas. Em poucos quilômetros de distância, o visitante volta no tempo. Bem-vindo ao Brasil original. Bem-vindo à Rota dos Engenhos de Pernambuco.



fonte: Fundaj – Fundação Joaquim Nabuco.

             portaldeturismoPE 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Os Vinhos de Supermercado


Publicado em Falando sobre Vinhos.
Foto: internet
A grande maioria de consultores de vinhos, enófilos empedernidos e especialistas mais radicais, em parte, tem razão quando dizem que os vinhos baratos e comerciais, vendidos em supermercados, não têm sofisticação. Esquecem eles, no entanto, que ao lado dos vinhos baratos de baixa qualidade (produzidos pelas Cooperativas do Sul da Europa), a cada dia, também chegam às gôndolas dos supermercados uma gama crescente de vinhos cada vez mais sofisticados, elaborados pelos produtores do Novo Mundo. A outra alegação, de que as prateleiras dos supermercados não são o lugar ideal para guarda de vinhos, (uma vez que as garrafas são mantidas de pé, sem refrigeração e expostas à luz), também pode ser refutada, uma vez que os vinhos, ali expostos e adquiridos, são, na grande maioria das vezes, para o uso no quotidiano  e  consumo imediato.

Foto: internet
É óbvio que enotecas, delicatessens e lojas especializadas — com ambiente refinado, atendentes treinados, vendedores com conhecimento sobre o produto e um catálogo mais completo e sofisticado — são e continuarão a ser a opção mais adequada para ter contato com novos rótulos e, principalmente, para adquirir vinhos referenciados por críticos e revistas especializadas ou os reservados para ocasiões especiais. Mas para os neófitos, para enófilos que buscam constantemente etiquetas das mais diferentes regiões vitivinicultoras, ou mesmo quem busca um vinho mais elaborado e que não quer pagar um preço exorbitante, as gôndolas do supermercado costumam ser a solução mais prática.

Contrariamente ao que ocorria há cerca de cinco anos, quando não havia espaço destinado à venda de vinhos, somente de destilados, as redes de supermercado, tanto locais como nacionais e internacionais, reservam áreas cada vez mais espaçosas e organizadas para venda e, algumas até, para degustação da bebida.

É bem verdade que acompanham uma tendência mundial e uma estratégia de vendas que obteve sucesso nas grandes metrópoles, buscando reverter os inexpressivos números nacionais (2% ou pouco mais, per capita), diante dos padrões mundiais.

Foto: internet.
Talvez, em razão disso, bons vinhos, de diferentes países, a preços justos, hoje, são facilmente encontráveis em quaisquer lojas de redes de supermercados. Para encontrá-los, é necessário somente um diligente trabalho de “garimpagem”. Neste processo, é comum encontrar vinhos, particularmente, do Novo Mundo, muitos deles referenciados em guias, com preços excepcionais.

Em outras circunstâncias, é prática comum nas grandes redes, quando o produto não tem uma boa vendagem dentro de um determinado prazo de tempo, ter o seu valor reduzido a preço de custo.  

Costumeiramente, isso significa 40% ou 50% do preço ostentado anteriormente. A “garimpagem” em um supermercado, no entanto, exige muita atenção. Tanto quanto no próprio garimpo. É necessário estar muito atento a detalhes, que podem evitar aborrecimentos. Observar o acondicionamento nas prateleiras e gôndolas é uma boa prática, da mesma forma que analisar detidamente o estado das garrafas e rótulos e o seu estado de conservação. Ainda no quesito cuidados para compra de vinhos em supermercados, é de bom tom, avaliar a climatização do local  e observar se sobre as gôndolas incide luz solar Por fim, atentar sobre safra (lembrar que vinhos brancos, principalmente os do Novo Mundo, quanto mais jovens menor será a possibilidade que estejam estragados) e, principalmente, se o produtor é conhecido. Buscar no contra-rótulo a empresa responsável pela importação é um dado que costuma ter importância, pois muitas vezes assegura a qualidade do produto, uma vez que as grandes importadoras fazem pesquisa e visitam feiras especializadas para trazer vinhos que tenham sucesso comercial.

Foto: internet
Além do mais, as próprias redes de supermercado já estão fazendo suas próprias importações (Hiper Bompreço importa os vinhos da vinícola Gracia de Chile, o Carrefour os da Cremaschi Furlotti e o Pão de Açúcar-Extra os da bodega Dona Paula), o que garante bons vinhos a preços extremamente competitivos. O trabalho de garimpo em supermercado passa obrigatoriamente, também pelas vendas promocionais que usualmente acontecem em datas especiais (Páscoa, Natal, etc) ou as que aparecem ocasionalmente. Nessas datas, as redes costumam reduzir os preços de rótulos que não tem boa vendagem, e é a oportunidade ideal para abastecer a adega com o vinho do dia-a-dia, e pagar menos por isso. Claro está que entre os rótulos de qualidade, há centenas de garrafas de  zurrapas intragáveis, que de forma nenhuma devem alimentar o preconceito contra os “vinhos de supermercado” e desdenhar esta alternativa na hora da compra.


fonte: por @wine_vinhos - Tribuna do Norte blog vinho divino vinho